Por Matt McMullen
Cinco semanas incríveis chegarão ao fim no sábado, com a sexta e última partida da Copa do Mundo da FIFA™ em Kansas City, quando a Argentina e a Suíça se enfrentarão por uma vaga nas semifinais; para ambas as seleções, está em jogo um momento histórico.
O que está em jogo para a Argentina, campeã da Copa do Mundo da FIFA™ de 2022, é óbvio. O torneio mundial não tem um bicampeão desde que o Brasil conquistou o título pela segunda vez em 1962 e, antes disso, a Itália em 1938. Em outras palavras, é muito difícil — e, historicamente falando, quase impossível — para um campeão em título defender com sucesso seu título, mas, para a Argentina, essa realidade está a apenas três vitórias de distância.
Do outro lado do campo, a Suíça tem a oportunidade de alcançar a melhor campanha da sua orgulhosa história no torneio. Esta já é a primeira vez que a Suíça chega às quartas de final desde 1954 e, com uma vitória no sábado, os suíços vingariam a derrota sofrida para a Argentina na Copa do Mundo da FIFA™ de 2014 e garantiriam sua vaga nas semifinais pela primeira vez.
E o palco? Pela sexta e última vez, Kansas City receberá os holofotes do mundo na noite de sábado. O Heartland já foi palco de alguns dos momentos mais memoráveis do torneio, desde o hat-trick de Lionel Messi contra a Argélia até as 15 defesas do goleiro Eloy Room, que garantiram o empate de Curaçao com o Equador.
A partida deste sábado promete ser um final digno para um verão que Kansas City nunca esquecerá, mas, no que diz respeito ao confronto em si, esse jogo em particular — até o último momento — parecia improvável que sequer viesse a acontecer.
A Argentina, por exemplo, precisou de uma recuperação de proporções históricas para derrotar o Egito nas oitavas de final. Os atuais campeões estavam perdendo por dois gols aos 78 minutos, mas marcaram três gols em apenas 13 minutos para garantir a vitória após terem estado em desvantagem.
Foi um esforço incansável, sinônimo do espírito de um campeão, e, para o técnico Lionel Scaloni, a atuação demonstrou não apenas o caráter de sua equipe, mas também qual ele deseja que seja o legado desse grupo específico nos próximos anos.
“Gostaria que essa seleção fosse lembrada como uma equipe que nunca desistiu… Não jogamos apenas pela vitória; trata-se também daquela criança de 10 anos gritando: ‘Vamos lá, Argentina!’. Esse é o legado que queremos”, disse Scaloni. “Quando se fala de uma seleção nacional – da Argentina –, trata-se de paixão. Trata-se de ter sete ou oito anos e jogar na rua, sem nunca desistir da bola. Esse é o legado que queremos deixar com essa seleção.”
No centro desse legado está Messi, que marcou seu primeiro hat-trick na história da Copa do Mundo da FIFA em uma noite quente em Kansas City no mês passado. Muito se tem falado sobre a busca de Messi pelo segundo título consecutivo naquela que provavelmente será sua última participação na Copa do Mundo da FIFA, mas, por mais que pareça inevitável a vitória daquele que muitos consideram o maior jogador de todos os tempos, os suíços estão ansiosos para, ao contrário, fazer desse momento o seu.
“Não estou aqui para falar, quero dar os próximos passos”, disse o capitão da Suíça, Granit Xhaka. “Estamos muito perto do fim. Estou ansioso por isso e estou com muita vontade. Agora, só precisamos mostrar isso em campo.”
De fato, Xhaka e seus companheiros de equipe estão a apenas três vitórias da imortalidade, após uma emocionante vitória nos pênaltis sobre a Colômbia. Esse não foi exatamente o resultado que a maioria esperava, já que muitos previam uma revanche da vitória da Argentina sobre a Colômbia na final da Copa América de 2024.
Os suíços, porém, tinham outros planos, e essa resiliência terá a oportunidade de se manifestar mais uma vez no sábado.
“Estamos preparados; agora só precisamos dar o nosso melhor amanhã e jogar no nosso melhor nível”, disse Xhaka. “O que realmente importa é a mentalidade. Sabemos que a Argentina tem muitas qualidades – [embora] poucas pessoas falem das qualidades da Suíça. Amanhã, vamos falar em campo e mostrar a vocês do que somos capazes.”
É claro que, para que Xhaka e a seleção suíça tenham sucesso, eles precisarão superar o que se tornou uma vantagem de jogar em casa para a Argentina.
Afinal, Kansas City serviu de base para a seleção argentina durante todo o torneio, e a Albiceleste — como é conhecida a seleção — disputou uma partida no mesmo estádio onde será o jogo deste sábado há menos de um mês.
“Não temos viajado muito. Quando você entra em campo, diz que isso não importa, mas importa sim. O descanso é essencial”, disse Scaloni. “Felizmente, não tivemos que viajar muito, e se tivéssemos ficado em segundo lugar [no grupo], teríamos viajado por todo lado.”
Conforme observou Scaloni, o fato de a Argentina ter cumprido bem suas obrigações durante a fase de grupos significou um itinerário limitado, que incluiu viagens a Dallas e Atlanta, além de um voo mais longo para Miami. A seleção suíça, por outro lado, disputou recentemente três partidas consecutivas em Vancouver – a quase 2.000 milhas de distância do Kansas City Stadium.
Tudo isso equivale a uma espécie de jogo fora de casa para os suíços, mas acontece que o técnico Murat Yakin entende de futebol americano. Apropriadamente, Yakin recebeu na quinta-feira a visita do lendário running back do Kansas City Chiefs, Christian Okoye, que presenteou a equipe com uma camisa comemorativa.
Yakin, que se autodenomina torcedor da NFL, ficou emocionado com o gesto e, seguindo o espírito das recentes atuações dos Chiefs no futebol americano, está tudo menos desanimado diante das adversidades que tem pela frente.
“Amanhã, vamos jogar no estádio onde os Chiefs conseguiram muitas vitórias nos últimos anos”, disse Yakin. “Isso é realmente um grande destaque, mas vamos tentar conquistar uma vitória histórica amanhã também e escrever nossa própria história.”
Há muito em jogo para ambas as equipes neste sábado, mas, independentemente do resultado, o Kansas City — assim como tem feito ao longo de todo o torneio — continuará a escrever sua própria história.

